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5 de jun de 2015

Primeiro dia



Eu lembro do primeiro dia, tinha muita gente triste, muita gente sozinha.

Eu lembro do primeiro dia e tinha muita gente estranha, muita gente triste, 3(três) malucos fazendo arte, e nós dois estávamos lá, ao redor de uma loucura, dentro de um sonho, de um pesadelo.

Eu suava muito, e ela também, eu queria proteger ela, ela queria ficar comigo. Eu também queria ficar com ela.

Eu lembro do primeiro dia, era na verdade uma noite, e estávamos lá juntos. Em um pesadelo, ou era sonho, mas eu queria ela ali, e queria abraça-la, ela tava me olhando de canto de olho, e eu acompanhava seu olhar, ela sorria de uma forma sexy. E os três malucos fazendo arte, e as pessoas tristes, e assustadas, e nós dois enamorando, se olhando e se esbarrando.

Lembro do primeiro dia, lembro de como eu a queria. Eu ficava atrás dela abraçando, e ela de mão dada comigo, não lembro quando dermos a mão, mas não queria soltá-la, e ela me olhava de canto de olho com um sorriso me guiando naquele pesadelo.

Lembro do primeiro beijo, saímos com as mãos ainda dadas, e se olhando, sem conversar muito,
eu estava nervoso, mas ela me olhava e sorria.

Sentamos nos beijando e foi assim que eu me lembro, lembro do primeiro dia, que era na verdade uma noite, uma noite feita para nós dois.

Eu lembro que eu só queria beijá-la por mim até hoje eu não teria saído de lá.

16 de setembro.


1 de jun de 2015

O céu tá sem estrelas hoje.

Coisas que aqueles amigos que só aparecem em turnos, e turnos nos dizem.


-- Olha quem aqui se encontra!  Quanto tempo, Thigo?!

-- Fale véi, quanto tempo.

-- Quer uma cerveja?

-- Não obrigado, não bebo.

--Tudo bem, tudo bem! E as coisas como andam?

-- O céu tá sem estrelas hoje.

-- Humhum, como na ultima vez que nos vimos.

-- É, e as anteriores também.

-- Humhum. Eu lembrei de um dia muito estranho hoje e você tava nele.

-- ... Eu sempre estou nos dias estranhos das pessoas.

-- Ninguém tem culpa de você ser desengonçado. Foi aquele dia que a gente tava em um luau, e de repente apareceu aquele maloqueiro alcoolizado. Que tinha um nome, que tem a ver com planta, como é o nome dele?

-- Silvestre!

-- Pow cara, tua memoria assusta até pessoas que te conhecem a mil anos.
(gargalhadas) Cara o bicho tinha aquele cabelo meio samabaia, e uma camisa laranja, com verde limão. O que tinha escrito na blusa dele mesmo?!

-- "O vermelho dos meus olhos, vem do verde da natureza", by bob marley. E na lateral da blusa tinha "pertence a silvestre".

-- Que memoria fdp, que memoria fdp (gargalhadas)

-- Sabe que dizem que quem tem memoria boa, tem mais chances de ter alzheimer.

-- Sério? Então tu tá fodido. Só que eu nasci com alzheimer então, porque eu não lembro de nada.

-- Tá, deixa. O que tem o Silvestre?

-- Pow véi, sei lá... Pensei nele agora do nada pra descontrair, nunca mais tinha rido perto de tu.

-- Silvestre, lembra da mina que o bicho pegou? tu tava afim dela achando que ia dar uns pega, e no final o Silvestre deu maior beijão?!

-- FDP, FDP, ela era vizinha daquela outra menina que tu ficasse.

-- Era...o bicho namorou a vizinha dela pow, quase engravidava e tal.

-- Eu tô ligado. Enfim, me diga o que Diabo você está fazendo aqui no meu turno.

-- ...Ermn..., eu queria só conversar.

-- Saquei, outro dia eu tava aqui pensando no nome daquele jogo de playstation que a gente jogava que era de corrida de rua, tinha bicicleta, skate, patins, e os caras tinham que passar no meio de umas traves. Tu se lembra o nome do jogo?

-- 2Extreme, ou 3extreme

-- Memooooriaaa fdp. Gargalhadas.

-- Esse jogo não era meu, era de um amigo de infância. Eu comprei um depois só que perdi.

-- Tô ligado. Eu acho que eu lembro quem é esse boy.

-- Eu sinto falta dele pra caramba.

-- Ele fez a escolha dele, mas eu sei como é isso.

-- O bicho era o tipo de cara que você sabia que ele seria o primeiro a sair correndo. Mas passava confiança. Quando eu comecei a estudar mais, comecei a deixar ele de lado, ele ia me procurar, mas eu tava estudando, ou lendo, ou jogando. E penso que ele achava que eu tava evitando ele ou fugindo dele. Mas eu tava era fugindo de todo mundo, e evitando todo mundo.

-- Só que isso não faz de você um vilão. As pessoas tendem a fazer isso, é natural, ele sentia sua falta por isso ele ia lá, você era amigo dele, mas ele não lhe culpou pelo que aconteceu.

-- Mas me faz sentir culpado. Se ao menos eu tivesse presente, ele poderia ter mudado de ideia, e até mesmo saído daquela.

-- Hoje o céu tá sem estrelas. Meu turno já tá acabando, e daqui vou jogar golfe no buracão.

-- E eu preciso ir pra casa.

-- Ei..?

-- ...Fala.

-- Seja você! Quando fazemos isso, não existe nada no mundo que nos deixe mais sensatos e livres. Quando somos nós mesmos até os Deuses perdoam nossas loucuras, nossos erros.

-- Por que um coração limpo é aquele que faz o que é.

-- =) Negocio de viaaaaado da pooorraaaa

-- né?! Falou viado. =D

-- Flw,  Thiagoviado!





1 de fev de 2014

Vamos Embora, ou não.

Meu Janeiro foi embora. Pois é, acho que vou embora também.

De preferencia pegaria um trem, mas por conta dos gringos unidenses sou obrigado a ser refém rodoviário.

Acho muito chato chamar gringo unidense de Americano, afinal é o país menos Americano que existe. Não tem borogodó.

Fevereiro... tem carnaval . ooops carnaval esse ano será em março.

Hoje eu escutei uma musica da Chiquinha Gonzaga, com o mesmo nome do titulo desse texto.

Depois corri para ouvir o Ben Jorge, e uma musica do Los Hermanos, só para não ficar doido de que "Vamos Embora Meu Bem" é uma frase musical desejável... sonoramente na minha cabeça nas ultima semanas por cantores diferentes, até mesmo o Buarque canta essa frasezinha em um álbum solto da época que ele comia o Brasil inteiro.

Fiquei pensando nessa frase e para quem esses compositores escreveram... O Jorge provavelmente escreveu para Tereza, ou para uma mulata, sobre Dona Chica eu não tenho muito estudo e não vou perguntar a Deus por que a preguiça é maior, o Camelo tem a Malu, se bem que quem canta essa parte é o Rodrigo Amarante (que acho que tem uma voz bem mais sonara que a de Camelo).

Pensei então no fato: Com quem eu iria embora?

Se fosse ano passado eu citaria uma lista considerável de moças; (uma em especial.).

Mas deixemos o passado no lugar dele.

Depois mais uma interrogação apareceu.

Quem seria meu bem?

E então percebi que sou um cara digamos "solitário", só que não solitário de sozinho, de não ter ninguém, não, não, não, ter eu tenho... Mas eu gosto de ser solitário. Existem pessoas que não conseguem ficar sozinhas, e ficam procurando alguém o tempo inteiro.

Eu sou apegado aos meus amigos, bem...digamos que eu era.

Agora estou apegado muito mais a meu próprio eu.

Depois fique pensando se isso teria me tornado mais egoísta do que sou, só que acredito que é mais autoproteção do que egoísmo propriamente dito, afinal quem foi que disse que tudo na nossa vida tem que ser compartilhado com alguém?

Também não estou dizendo que não gosto de compartilhar vivencias, ou vivenciar a vida junto com pessoas. Só fiquei refletindo que nem sempre as pessoas que você gosta de vivenciar a vida, e compartilhar coisas, querem fazer isso com você de coadjuvante, antagonista, escada, figurante... E o melhor que temos que fazer é respeitar essa decisão.

E a pessoa ao qual me veio na mente, foi justamente quem me fez(forçou) refletir sobre o paragrafo acima. E atualmente me sinto desconfortável em saber que meu: "vamos embora, meu bem" é por alguém que quis que eu fosse embora.

28 de jan de 2014

Carta para A&M

Sei que faz tempo que não lhe escrevo, sei que faz tempo que não digo como anda a situação atual econômica, mental e emocional desse palhaço vagabundo.

Só queria dizer que aquele meu "probleminha" aumentou.

Ainda não inventaram remédio, e o tratamento é muito demorado para que eu resolva fazer isso agora. Minhas dificuldades estão me deixando com vergonha, tem momentos que eu não consigo escrever uma palavra certa, se até agora eu fui bem saiba que demorei bastante.

Hoje encontrei mais um inchaço na minha cabeça perto do ouvido esquerdo. Estou com meu relógio biológico um pouco atordoado, mas acredito que corrigi. Finalmente estou me entendendo com o curso superior que escolhi, a qual seu Marido e você dizem que foi uma cagada e a prisão que eu resolvi me perder.
Diga a Apolo, que eu ri muito com foto de Budapeste.

Hoje me deu vontade de ouvir musica por fita cassete(cacete, como a gente dizia) "olha a fita, cacete!".
Pena que não tenho tocador de fitas, nem fita nenhuma, o máximo que consegui foi achar um site que você da play e fica vendo a imagem de uma fita enquanto a musica toca.

Fiquei pensando no que vocês me disseram, e estou começando a concordar sobre. As pessoas estão indo embora, enquanto eu fico nessa prisão.

Conversei com a Dona Maria, ela me pediu para que eu aguentasse mais um pouco até a "the police" se formar, e provavelmente ela se formará primeiro que eu. Só que isso não é um problema para mim. Fora a parte acadêmica que acredito que agora vai, também acredito que passarei a ter um salario regular ainda esse ano.

Vou conversar com  Dona Maria que talvez se case em março. Esse ano muitas coisas vão acontecer em março além do carnaval, espero muito que a maioria delas sejam coisas boas e maravilhosas.

Não vou poder viajar para me encontrar com vocês esse ano. Eu queria fazer isso na verdade quando eu me ajeitasse... me estabilizasse e resolvesse meus problemas pendentes. Mas não se preocupem que visitarei vocês um dia, se vocês não chegarem de novo de surpresa. Só vou avisando que coloquem mais um lençol e travesseiro alem do meu, ou arrumem um casa logo para mim.

Sábado me encontrei com um leitor deste humilde bloque desconhecido, e ele só falava de vocês dois. Pediu para que eu escrevesse mais sobre, porém prefiro por enquanto guardar vocês só para mim.

Estou fazendo o que você me pediu Mônica, maldita!

E queria lhe agradecer por isso, cuidar do nosso jardim pode trazer surpresas bem mais agradáveis que regar o jardim dos outros, ou caçar borboletas. (plagiando Quintana).

"Ela voltou arrombando a porta, sem pedir licença. Muito mais linda que da ultima vez que a vi."

:) torçam por mim!

Sim,
Não estou com saudade de vocês, apenas dos barulhos.

11 de jan de 2014

Coisados #3

As últimas palavras dela para ele foram congelantes. Não por conta do inverno chinês no mês de Janeiro, nem por conta do ar gelado que saia da sua boca por conta do sorvete de napolitano, mas pelo arranhão que causou na armadura do seu peito, fazendo lembra-lo que ainda tinha coração.

Fazia cerca de 8 anos que ele ouvira tais palavras, fazia cerca de 8 anos que eles nunca mais se viram.

A penúltima noticia que ela ficou sabendo dele, foi que tinha saído da cidade natal dos dois, cerca de um ano depois da morte do seu pai. E que voltara para visitar um amigo que se meteu em um acidente de transito provocado por dois bandidos.

A a penúltima  noticia que ele ficou sabendo dela, foi que ela descobriu que seu marido a traía desde o tempo em que eram namorados, e que ela o tinha perdoado e estava feliz.

A ultima vez foi que ela se separou do marido, logo depois que seu terceiro filho nasceu.

A ultima vez que ela ficou sabendo sobre ele, foi que finalmente ele tinha se casado com seu grande amor. Foi no mesmo dia que ela lembrou das palavras congelantes.

8 de jan de 2014

Dr. Pittsburgh #1

No escritório do Dr. Pittsburgh

Diga-me George por que você está aqui hoje?
─ Dr. Pittsburgh eu preciso de ajuda.
─ É para isso que estou aqui, diga-me qual é o seu problema?

Cada dia desprezo mais pessoas que se acham mais inteligentes e melhores que as outras.

Essas mesmas pessoas só conseguem ver os defeitos dos outros, só conseguem julgar os outros, só conseguem cobrar dos outros, só conseguem ver as boas ações que fazem, e às vezes não são nem boas ações.

O que mais me assustas dessas pessoas melhores que eu, e mais inteligentes que eu, é a capacidade delas de julgarem os meus atos e os atos de pessoas inferiores e desprovidas de inteligência, (como diz um amigo meu: “deficiente de inteligência”).

Eu discordo desses termos, e discordo ainda do poder de julgamento das pessoas que se acham melhores ou que pensam dessa forma.

Lógico que você sempre conhecerá algum babaca, ou agira como babaca alguma vez na sua vida. Mas terá pessoas que não acharam babaca alguém que você julga ser babaca.

Mas para mim pessoas que pensam dessa maneira, mesmo sendo inteligentes, são pessoas babacas, ou inteligentes babacas.

Eu não gosto muito daquela expressão: “A primeira impressão é a que fica”. Não se pode julgar alguém por uma única impressão que você tem dela.

Já fiz isso algumas vezes, e me surpreendi depois (evito muito de fazer isso). E já fizeram comigo isso algumas vezes e não deram oportunidade para que eu pudesse surpreender, ou vai ver deram e eu não consegui o feito.

Essas pessoas que julgam logo de cara, seu caráter, ou sua índole, ela deve ter superpoderes ou achar que tem superpoderes.

Eu estou ficando muito irritado com isso, o ponto de deboche que pessoas que se dizem melhores fazem com outras pessoas é tão grande, mais tão grande que chega a ser humilhante, e ultimamente estou vendo isso com frequência, e todos os dias, e não sei, sinceramente não sei como fazer para continuar vivendo em harmonia com pessoas assim.

Há um tempo eu estava conversando sobre um assunto em uma rede social com dois colegas meus, e do nada, praticamente como um relâmpago, surge um amigo meu, com uma resenha totalmente absurda sobre o assunto, que estávamos conversando, meio que “colocando vinho em um copo de água”, “confundindo o c* com as calças”, o que acabou nos assustando, fazendo um dos meus colegas sair da conversa, me fazendo “ignorar”, dar uma de doido, e ver o meu outro colega pacientemente explicar que o assunto “vomitado” pelo meu amigo, não se adequava a conversa que estávamos tendo.

O que foi em vão, afinal pessoas melhores que outras, não gostam de estar erradas sobre algo, mesmo sem ter conhecimento adequado sobre o assunto, esse meu amigo insistiu, bateu o pé, para começar uma discursão com o meu colega, paciente, um assunto que meu colega conhece muito bem, coisa que meu amigo não sabia.

Conversa, vai, conversa vem, meu amigo induzindo coisas e impondo coisas, para ganhar o argumento, sobre meu colega, e esperando likes, e aplausos de fantasmas, porque isso não aconteceu. Até que meu colega já sem paciência e com educação preferiu ignorar uma discussão sem futuro.

Um pouco antes disso, observei que uma amiga minha estava sendo ofendida nessa rede social, por postar noticias e algumas besteirinhas interessantes, por uma menina, que provavelmente estava com invejas por não receber tanta atenção, o que me fez ficar muito espantado, como um simples gesto natural de compartilhamento de opinião, pode ser um motivo para uma briga com fins mais graves.

Hoje em dias as pessoas estão tão preocupadas com as suas imagens, que qualquer coisa, é motivo para barraco, discussão, deboche, briga, e não duvido nada “Assassinato”, já que onde eu moro, o que mais aparece são pessoas sendo mortas por terem discutido com o assassino em algum lugar, por acerto de contas, ou por coisas mais estupidas.

As pessoas esqueceram que elas são mais que sua imagem, elas esqueceram que elas são pessoas e que elas vivem em sociedade, que existem pessoas com opiniões diferentes, sobre assuntos diferentes e maneiras de comportamentos diferentes.

Elas esqueceram que caráter, índole e modos de agir, são o que realmente pode abalar sua imagem.

Quando era criança eu fazia a primeira serie, e um menino da quarta me chamou de “filho de uma garota de programa”, eu fiquei com raiva e surrei o menino, sim surrei. Chequei em casa levei uma surra da minha mãe, que disse:

Deixava o menino falar o que quisesse você sabe que eu não sou o que ele disse, não tinha pra que ter batido no menino, agora quem foi visto como errado foi você.”.

Eu era criança e não tinha entendido muito bem o que ela tinha me dito, mas parei de brigar na escola, para não levar uma surra quando chegasse em casa, mas continuava brigando fora da escola.

Até que um dia, um pouco mais velho, comecei a ser ofendido pela minha aparência, e comecei a entender que se eu me importasse com o que as pessoas diziam de mim, era porque elas teriam um pouco de razão, parei de brigar, as falácias aumentaram, afinal o que eles mais gostavam era de me verem com raiva, e tentando agredi-los, mas nunca fui de agredir ninguém mais fraco que eu, e agredir quatro, cinco, seis pessoas seria complicado, ir pra diretoria com toda essa quantidade de pessoas se fazendo de vitima.

Entendi completamente o que minha mãe disse, e hoje quando alguém falar os deboches que falavam antes, eu ignoro, ou me aproximo com educação e calo de maneira educada.

“Você deve achar legal, ofender alguém perto de sua namorada, mas acredito que ela deve achar isso muito imbecil de sua parte.”.


Por conta desses tipos de situações ando evitando adentrar-me em discussões.

Então era isso Dr. Pittsburgh.

(Silencio)

─ Dr. Pittsburgh?

(Silencio)

─ Dr. Pittsburgh?! O senhor está aí?

(Rodolfo se levanta e procura o Doutor pela sala, descobrindo que estava sozinho, até que encontra uma folha na poltrona do Doutor.).

─ Você fala demais! Cansei! Passar Bem.

Ass: Dr. Pittsburgh.

7 de dez de 2013

Só pra não perder a forma!

Aquele acidente na noite de 5 de dezembro de 2013.

Ele não queria ter morrido, não queria ter provocado dor e sofrimento na vida de seus familiares, amigos e de pessoas ordinárias.

Estava apenas descendo do ônibus 5210 em Mangabeira, para pegar qualquer ônibus que fosse para os bancários, assim são todas suas noites quando não precisara ir a aula ou trabalhar.

Não conseguia pensar em mais nada a não ser em descer os dois degraus da porta de saída do 5210 ir para calçada e andar 3 quadras até chegar a outra principal do bairro, onde pegaria o ônibus para seu destino.

Estava com a garganta um pouco seca, e com os músculos da perna doendo, pelo andar nem parecia que tinha vinte e poucos anos, parecia mais um velhinho de sessenta e nove com problemas de coluna descendo degraus vagarosamente.

O motorista pensava que ele era deficiente, não só o motorista como os outros passageiros, e a moça magrinha de cabelos loiros, coco chanel e vestido marrom mofado que o lembrou a atriz de Bastardos inglórios, só que mais bonita e mais nova, ele próprio também pensava que era um deficiente.

Antes de começar qualquer desejo assombroso e intimo sobre a moça magra de cabelos loiros coco chanel, e vestido marrom mofado que lembrava a atriz de bastardos inglórios só que mais bonita e mais nova, ou de pegar seu celular em uma bolsa de algodão azul que mais parecia uma sacola de carregar farinha, para ver a hora.

Assim que tocou os pés no asfalto e deu um passo para calçada, um táxi siena, bate na sua perna direita a exatamente 40 km/h fazendo seu corpo se elevar do chão, e suas costas baterem em cima do capô do taxi, sua cabeça no para-brisa, parecendo aqueles bonecos de bambu que são modelos de anatomia.

O taxista continuou acelerando até o corpo cair de cabeça no asfalto.

O ônibus tinha ido embora, felizmente a moça magra de cabelos loiros coco chanel, e vestido marrom mofado que lembrava a atriz de bastardos inglórios só que mais bonita e mais nova, não tinha prestado atenção no que ocorrerá ao lado da sua janela, pois estava digitando rs, rs, no chat do facebook, comentando sobre um rapaz que descia do ônibus como se fosse um personagem de
monty phyton no episódio Ministry of Silly Walk.

Na mesma hora e mesmo minuto que a cabeça do rapaz de vinte poucos anos tocou no solo, Jorge acabará de fazer um golaço contra o time da cidade de cima da sua rua, depois de ter driblado os três jogadores mais violentos do bairro.

A 3.000 e poucos km de distancia, Fernanda fecha a porta após escutar sua irmã reclamando da dor na coluna, antes de colocar Alive de Pearl Jam no ultimo volume.

O Abolicionista @Zumbi_Valeu lamenta a morte de Nelson Mandela no Twitter. 

A 500 metros do acidente, Juliana é pedida em noivado. 

Na escola do Liceu no centro da cidade, Luiza esta se dando bem em uma prova de Português.

Perto da praia Julio é pego por sua mulher com uma amante em um restaurante, a 800 metros dessa briga, Emmanula acende um "beck"

Nos Bancários, Joaquim acende um cigarro depois de ter voltado da escola onde ensina.

No alvoroço do acidente, Neto rouba a bolsa de algodão azul de Thiago, que esta imóvel do lado do táxi.



27 de out de 2013

O mais cruel de nós.

A dor de saber que ela matou ele, deve ser suportada pelo mais cruel de nós.

Pelo mais cruel de nós. Pelo mais cruel de nós. Pelo mais cruel de nós. Pelo mais cruel de nós...

Isso ficou vagando na minha mente por dias, semanas, e agora meses.

Presenciar fatos desumanos todos os dias, é natural da humanidade.

Mas ter uma dor pesada assim no meu peito, e ter que guarda-la só pra mim é algo que eu pensava que não seria tão difícil.

Acontece.