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1 de jun. de 2015

O céu tá sem estrelas hoje.

Coisas que aqueles amigos que só aparecem em turnos, e turnos nos dizem.


-- Olha quem aqui se encontra!  Quanto tempo, Thigo?!

-- Fale véi, quanto tempo.

-- Quer uma cerveja?

-- Não obrigado, não bebo.

--Tudo bem, tudo bem! E as coisas como andam?

-- O céu tá sem estrelas hoje.

-- Humhum, como na ultima vez que nos vimos.

-- É, e as anteriores também.

-- Humhum. Eu lembrei de um dia muito estranho hoje e você tava nele.

-- ... Eu sempre estou nos dias estranhos das pessoas.

-- Ninguém tem culpa de você ser desengonçado. Foi aquele dia que a gente tava em um luau, e de repente apareceu aquele maloqueiro alcoolizado. Que tinha um nome, que tem a ver com planta, como é o nome dele?

-- Silvestre!

-- Pow cara, tua memoria assusta até pessoas que te conhecem a mil anos.
(gargalhadas) Cara o bicho tinha aquele cabelo meio samabaia, e uma camisa laranja, com verde limão. O que tinha escrito na blusa dele mesmo?!

-- "O vermelho dos meus olhos, vem do verde da natureza", by bob marley. E na lateral da blusa tinha "pertence a silvestre".

-- Que memoria fdp, que memoria fdp (gargalhadas)

-- Sabe que dizem que quem tem memoria boa, tem mais chances de ter alzheimer.

-- Sério? Então tu tá fodido. Só que eu nasci com alzheimer então, porque eu não lembro de nada.

-- Tá, deixa. O que tem o Silvestre?

-- Pow véi, sei lá... Pensei nele agora do nada pra descontrair, nunca mais tinha rido perto de tu.

-- Silvestre, lembra da mina que o bicho pegou? tu tava afim dela achando que ia dar uns pega, e no final o Silvestre deu maior beijão?!

-- FDP, FDP, ela era vizinha daquela outra menina que tu ficasse.

-- Era...o bicho namorou a vizinha dela pow, quase engravidava e tal.

-- Eu tô ligado. Enfim, me diga o que Diabo você está fazendo aqui no meu turno.

-- ...Ermn..., eu queria só conversar.

-- Saquei, outro dia eu tava aqui pensando no nome daquele jogo de playstation que a gente jogava que era de corrida de rua, tinha bicicleta, skate, patins, e os caras tinham que passar no meio de umas traves. Tu se lembra o nome do jogo?

-- 2Extreme, ou 3extreme

-- Memooooriaaa fdp. Gargalhadas.

-- Esse jogo não era meu, era de um amigo de infância. Eu comprei um depois só que perdi.

-- Tô ligado. Eu acho que eu lembro quem é esse boy.

-- Eu sinto falta dele pra caramba.

-- Ele fez a escolha dele, mas eu sei como é isso.

-- O bicho era o tipo de cara que você sabia que ele seria o primeiro a sair correndo. Mas passava confiança. Quando eu comecei a estudar mais, comecei a deixar ele de lado, ele ia me procurar, mas eu tava estudando, ou lendo, ou jogando. E penso que ele achava que eu tava evitando ele ou fugindo dele. Mas eu tava era fugindo de todo mundo, e evitando todo mundo.

-- Só que isso não faz de você um vilão. As pessoas tendem a fazer isso, é natural, ele sentia sua falta por isso ele ia lá, você era amigo dele, mas ele não lhe culpou pelo que aconteceu.

-- Mas me faz sentir culpado. Se ao menos eu tivesse presente, ele poderia ter mudado de ideia, e até mesmo saído daquela.

-- Hoje o céu tá sem estrelas. Meu turno já tá acabando, e daqui vou jogar golfe no buracão.

-- E eu preciso ir pra casa.

-- Ei..?

-- ...Fala.

-- Seja você! Quando fazemos isso, não existe nada no mundo que nos deixe mais sensatos e livres. Quando somos nós mesmos até os Deuses perdoam nossas loucuras, nossos erros.

-- Por que um coração limpo é aquele que faz o que é.

-- =) Negocio de viaaaaado da pooorraaaa

-- né?! Falou viado. =D

-- Flw,  Thiagoviado!





8 de mai. de 2013

Sobre você, sob você.


Sobre você, sob você. 

Sobre teu pescoço, meu rosto sob teu pescoço, rosto, corpo.

Sobre teu cabelo, meu cabelo sob teu cabelo, ouvido, membros, sossego.

Sobre conhaque, café e cigarros.

Vou falar de cachaça, e vinho tinto.

Sobre você, eu não preciso ter dizer, sob você eu não preciso ter que me dizer, sobre eu e você, não precisamos dizer nada. Só precisamos nos dizer. 

Para você eu falo do seu cheiro, do seu corpo, do seu olhar. 

De você eu penso,

Sobre aquele churrasco, dado pro(a) cachorro(a).

Para você eu digo,

Sob seu suor cheiroso, das musicas do C. Veloso.

Dos esquadros "calcanhottos", do romancista Drummond,

Das estrelas de Olavo B.

Sob você imito o passarinho de Quintana.

E me acalmo feito as tartarugas de "'Manel' de Barros".

Se nem o tempo tem pressa, por que precisamos ter?

Não importa se é sob ou sobre

Estou falando de você.

Do quanto te desejo, de como te desejo, sei que não te tenho, talvez nunca vou ter.

Mas não importa eu, importa que sou seu(teu), sob ou sobre você.


8 de out. de 2012

Sonhos e Pesadelos



Às vezes eu me sinto um velho idoso pelos conselhos que dou. Às vezes me sinto uma criança pelas crises de ciúmes e brincadeira extravagantes.

Sou um velho, sou uma criança, sou homem feito, depois me lembro da idade que tenho. Sou todos ao mesmo tempo. Sou corajoso, sou medroso, sou ciumento, sou covarde, sou engraçado, sou chato, sou triste, sou feliz. Mas te amo de todas essas formas, te amo não importa com qual esteja.

Sinto-me um dramaturgo, quando penso em te perder. Ensaio vários discursos, imagino minha vida em tempo futuro, começo a chorar, a tremer, até parece que brigamos de verdade.

Eu ensaio dores, ensaio tragédias, para que caso elas aconteçam eu não demostre tristeza, e sim uma insensibilidade assustadora.
Mas, quando penso em ter te perdido, só me vem uma solução. E ela é dolorosa, mais dolorosa que a morte, é sumir de sua vida. É fugir de sua presença, é esquecer sua voz.

Sinto-me um comediante, quando penso em ter você. Só em sonhar poder seu eu mesmo sem medo, dizer que te amo sem risco de te perder, me da uma alegria que faz meus olhos lacrimejarem. Faço questão de improvisar nessa parte caso um dia aconteça, não ensaiarei nada. Eu nos imagino, em lugares, em viagem, nós dois sorrindo, abraçados, de mãos dadas, deitados, fazendo piada,
Nossos filhos dormindo conosco.

Perder-te é entrar em um pesadelo sem volta. É ter minhas alegrias derrotadas pela tristeza.

É ver meus sonhos sendo destruídos, um por um, e viver em uma realidade vazia sem esperança.

O meu amor, o que mais quero é ser amado por ti. Mas guardo isso em segredo, até dizer-me sim.

Desta forma, poderás ser livre, poderás escolher realmente de quem gostas, de quem amas, e com quem queres viver.

Saibas que meu amor sempre será teu. Só teu.

Saibas que nosso amor será só nosso. Mesmo que quem ame seja apenas eu, só eu.

11 de set. de 2012

Como Ludibriar a dor.

Uma ótima maneira de ludibriar a dor, é ficando inconsciente, seja por bebida, por desmaio, ou simplesmente por dormir.

O problema que ludibriamos a dor por um momento. Logo, logo ela retorna com os juros de quando estávamos inconscientes.


Por isso nada mais justo, de levar uma boa garrafa de álcool no bolso do colete, ou pedir a um amigo que lhe bata com um porrete, até ficares inconsciente mais uma vez. 

 
Aos que preferem dormir, desejem pesadelos fortíssimos para que quando acordarem, seja pelo medo do pesadelo, e não pela dor anterior. Por que belíssimos sonhos não apagam as dores, e sim outro tipo de dor, uma dor mais forte.

8 de ago. de 2012

Filhos do Brasil


Pedro tem oito anos de idade e já tem uma profissão. Ajuda seu pai e sua mãe a terem o que comer.

Pedro acorda sem saber quando vai dormir. Mas sempre dorme sabendo que daqui a pouco vai acordar.

Essa é a vida dele, ele não pediu para viver assim. Mas vive para um dia escolher como vai viver.

Pedro cata latinhas, papelões e recicláveis, o dia inteiro, a noite inteira.

O que Pedro mais gosta, é quando tomar banho, e um prato de feijão e arroz. A carne é cara. Mas os dias de guisado são os melhores.

Maria tem seis anos de idade, e ajuda sua mãe a lixar, e pintar móveis. Sua mãe faz bico de carpinteira, encanadora, pintora, e não nega trabalho.

Maria nunca viu seu pai. Mas sua mãe sempre está com ela.

O que Maria mais gosta, é um copo de leite e pão com manteiga e queijo, tomar banho antes de dormir, e quando sua mãe dorme junto com ela.

Essa é a vida dela, ela não pediu para viver assim. Mas vive para um dia fazer sua mãe feliz.

Não lembro quando conheci Maria, mas nunca me esqueci de como a conheci. Ela ajudando sua mãe a lixar uma cadeira de madeira.

Pedro eu vejo todos os dias quando saio na rua.

Maria e Pedro estão em todos os lugares, na face de várias crianças.

25 de jul. de 2012

Memórias


Encontrei-me com bons amigos em um final de semana dessa greve.
E falávamos sobre, família, filhos, carreira, mulheres e sonhos.
Fiquei impressionado em ouvir os sonhos dos meus amigos, que compartilharam uma das minhas melhores épocas da minha vida. Foi como ter visto um Flash Back da maioria deles falando a mesma coisa de anos atrás. Alguns me causaram surpresa de ver como eles mudaram seus pensamentos e suas novas determinações, novos desafios, novas vontades.

E mesmo que tenha sido há muito tempo, nossa amizade continua verdadeira, firme e forte, ou seja, a mesma coisa. Mas não posso negar que tivermos várias mudanças, não só as nossas idades, formas físicas, e nossos cortes de cabelos que mudaram, nós nos tornamos homens.

Mesmo com brincadeiras e piadas de garotos, o tempo nos mudou. Só que com esse tempo inteiro sem vê-los e com várias histórias novas, surgiam às piadas velhas, os risos, e as "caras e bocas" de antigamente. O que também me impressionou foi como meus sonhos pouco mudaram.

Quando falávamos sobre, família, filhos, carreira, mulheres e sonhos, só pensava em uma pessoa além de mim, que se encaixava em tudo isso. Era tão natural que eu nem percebia, até que vi que eles que já tinham percebido, me fizeram prestar atenção nesse detalhe.

E que dessa maneira impressionante, que eles lembraram quem era, também caiu minha ficha de quanto tempo fizera que tinha contado esse detalhe para alguns deles. 

Nunca pensei que em uma conversa de lanchonete a mais de quatro anos atrás, fosse lembrada não só por mim, com minha memoria de elefanta ancião de decimo dã, e sim por todos que estavam presentes, e pelos que eu dia contei em conversas particulares.

Mesmo eu ainda envergonhado com a situação engraçada, um medo me bateu. Não é um medo pela mudança do meu cabelo, ou minha forma física, e sim essa pessoa que faz com que eu consiga falar sobre família, filhos, carreira, mulheres e sonhos, se é um dia quando voltar a falar sobre, família, filhos, carreira, mulheres, sonhos essa pessoa não estiver presente, o que aconteceria comigo, o que será do meu futuro?

 Alguém que faz com que eu ainda consiga pensar em ser feliz. Que faz com que eu ainda consiga sonhar. Mesmo que seja ela a única coisa que permaneça de concreto. Isso é o que sei, é por isso que vou lutar.

Vida, vamos em frente e seja o que vier.

23 de jul. de 2012

De Baixo do Guarda-Chuva




A chuva molhou meus sapatos, consequentemente minhas meias e meus pés, meu corpo estava coberto por vestes maltrapilhas e um boné italiano, que eram protegidos por um guarda-chuva enorme, com uma ponta de ferro em seu centro.

Eu adorava aquele guarda chuva, era capaz de proteger varias pessoas, também ajudava a me distrair, tentando equilibrá-lo com um dedo só, com as costas da mão, ou usando-o como uma bengala, além de me criar uma falsa proteção tornando em meus pensamentos uma espada contra mal feitores.

Era uma bela noite, apesar de estar-me ensopado dos joelhos para baixo. O barulho das batidas de sino do bondinho mostrava que minha condução estava se aproximando. E que o fim da minha maravilhosa noite estava perto do final.

Eu te amo.

Disse-me ela, com lagrimas caindo em seu rosto. Fazendo meu coração mudar o batuque e meu corpo inteiro esfriar... “Estava-me eu morrendo logo agora?”.

Meus olhos brilhavam iguais as lanternas dos faróis que orientavam os navios e os barcos em alto mar. E meu corpo ainda frio, suava dentro do meu terno e de minha calça.

Foi quando a chuva começou, e meu guarda-chuva nos aproximou, já que o chapéu que prendiam aqueles belos cachos de seu cabelo negro, não suportaria aquela chuvarada. E suas vestes se encharcariam toda.

A respiração dela parou quando seu corpo encontrou-se com o meu. Respirei fundo e a abracei forte, mesmo naquele frio, meu pescoço pingava de suor.

Não falaras n...

Interrompi suas palavras com um beijo, e nossos narizes gélidos se tocaram, cheiraram-se, e se conheceram. E nossos lábios, línguas e dentes foram devidamente apresentados.

Uma pequena linha de tecido de algodão separava as costas dos dedos, da minha mão esquerda, que tocava seu umbigo e segurava o guarda-chuva ao mesmo tempo. Seguido do momento que minha mão direita tremula como minhas pernas estavam, encontrou com uma nuca coberta de cabelos encaracolados.

Entrei no bonde ainda sentido o cheiro perfumado, que vinha da pele macia de minha primeira namorada. Continuei a sentir o corpo dela no meu, como se ainda estivéssemos abraçados.

O brilho de faróis dos meus olhos cessou, e as lagrimas jorraram com gosto salgado, paravam-se pelo meu queixo e percorria meu pescoço, outras se perdiam nos meus lábios esticados por não conseguir interromper o sorriso que estava formado.

Foi a primeira vez, que fui amado.

10 de jul. de 2012

Coisados #2



Ela se assustou quando ouviu alguns barulhos que vinha de frente ao salão onde estava fazendo suas unhas.

─ O que foi isso?

─ Não sei, deve ter sido alguma batida, vai saber.

─ É verdade, pode ter sido isso mesmo.

Algumas pessoas passam correndo assustadas em frente ao salão, mas nada que alterasse o som do secador de cabelos, e da televisão que transmitia a novela.

Lá fora, a suposição delas tinham sido verdadeira. Um acidente aconteceu assim que Vitor e Benjamim bateram em um carro a sua frente, quando ultrapassaram o sinal que estava vermelho, cento e vinte nove metros a frente do salão.

Ele foi atingindo por um carro, que bateu na lateral traseira do seu carro, fazendo com que ele girasse até bater com o lado da sua porta em um poste.

Benjamim e Vitor saem do carro com suas armas já sacadas, abordando um Santana branco que parou por susto depois do acidente, e atirando ao mesmo tempo, no peito esquerdo do policial que atravessara a rua na tentativa de prestar socorro.

Ela falava dele para as amigas, e para manicure que era obrigada a escutar. Contava como se gostavam, mas a distancia e os empecilhos faziam com que nunca se encontrassem. E como o universo conspirava contra a aproximação dos dois. E agora estavam finalmente juntos depois de tanta distância

O som da buzina do carro que bateu no poste não parava, mesmo assim ainda era imperceptível dentro do salão movimentado.

 Benjamim e Vitor entram no carro, fazendo uma mulher loira de cabelos cacheados de refém, após terem tirado do volante o homem de pele amarelada, cabelos e bigode grisalhos morto com um tiro na cabeça. Frações de segundo depois atropelam um senhor de pele mulata que vestia uma camisa de linho com botões, sua cabeça bateu na lataria da frente do carro de Thiago que não parava de buzinar.

Benjamim e Vitor fugiram, mas decidiram jogar a mulher loira de cabelos cacheada no asfalto.

A rua encruzilhada estava um deserto, os pedestres e motoristas saíram com medo de possíveis tiroteios e balas perdidas.

Na rua a mulher loira de cabelos cacheados levantou-se ao som agoniante da buzina do carro que continuava. Ela segue em direção ao salão para pedir socorro, passando correndo atordoada de medo, não percebeu a movimentação no estabelecimento que possuía um vidro fumê e fosco, que dificultava a visualização das pessoas de fora.

Um minuto depois a primeira cliente a sair do salão se assusta com a buzina e o deserto da rua. Sessenta passos do estabelecimento a cliente cruza com um homem de blusa branca, e rosto melados de vinho, que fez o cenário um pouco mais assustador do que já era.

A cliente correu para o seu carro, até que notou a frente amassada de um chevette cor de merda, e dois homens mortos no meio da rua, fazendo com que desmaiasse.

Um minuto antes, as mulheres do salão escutaram a buzina insuportável do carro, mas assim que a porta fechou-se, deram de ombros e continuaram com seus afazeres.

Quarenta e dois segundos depois a porta volta a se abrir. O som da buzina fez com que todas as mulheres olhassem para maldita porta, e ficassem paralisadas.

A porta se fechou e o silencio tomou conta do salão.

─ Boas tarde, vocês podem me dar um copo d’água?

Elas escutaram atentamente o pedido, mesmo assim não conseguiam parar de olhar ele com a blusa manchada de vinho, e o rosto coberto de sangue.


Tudo isso seria verdade, se ele já tivesse se formado, se eles já tivessem se conhecido.

10 de mai. de 2012

Caminhada e coisas que ela ainda não sabe.


Os pés ensopados por conta das ondas do mar que batiam neles. Calça suja de areia, com uma parte do abainhado se rasgando por estar encoberto por seus calcanhares.
As marcas de suas pegadas sumiam de acordo com o beijar das ondas do mar na areia.
E ele continuava a caminhar em silêncio, inspirando aquele cheiro de maresia forte, às 16h32min da tarde, sonhando com um momento que não aconteceria.
Poucas pessoas presenciavam aquela geografia de maneiras diferentes; duas ou três pessoas nadavam em lugares paralelos, algumas pessoas distantes sentadas observando aquela paisagem natural. Clichê de sua cidade.
Um homem, de cabelo curto e cavanhaque sentava do lado esquerdo, continuava lendo seu livro de bolso, como também olhava para trás, como se estivesse esperando alguém.

Foi o que tinha ficado mais próximo dele, quando ele estava sentado, antes de começar a caminhar. Do lado direito existia um rapaz com cara de desesperado, calça preta e blusa jeans de botões, mais a direita uma garota de óculos, cabelo preto liso, corpo atraente, e aparentava ser inteligente, e interessante quando ele passou por ela em sua caminhada.
Seu álbum do Johnny Cash, que escutava por intermédio do mp4 rosa que pegara emprestado de sua irmã, já estava quase no fim.
Um senhor que parecia galã de filme de cinema, corria na praia enquanto quatro senhoras caminhavam de biquínis, com aqueles corpos de jovens moças e rostos mais velhos que o de sua mãe, que assustaria, tanto um rapaz, quanto um senhor de certa idade.
No mar tinham dois barcos, um já conhecido por ele pela foto do ano novo de 2009 para 2010, onde o barco apareceu na foto que tirou com seus amigos, o outro barco era menor, parecia mais um jangadinha que um barco (na verdade era uma jangadinha) onde tinha um rapaz moreno com um arpão e uma rede em cima, pescando, que o fizera lembra-lo dos seus jogos de estratégias preferidos, nos seus amigos, e também na volta as aulas, nem deu para prestar atenção nas músicas do Johnny Cash que seriam substituídas por três do Beirut, e em seguida pelas gaitas e voz rouca, meio fanha e desafinada do bob Dylan, com seus quatro volumes dos seus greatest hits salvos no mp4.
Sua mente estava em outro lugar, procurando ouvir as ondas dizerem a resposta 42 de suas perguntas infortunas.
Quisera ele está sentado lendo livro, e olhando para trás, esperando por alguém. O livro que tinha na bolsa já tinha lido todo e não era tão interessante como seus pensamentos naquele momento. E a pessoa que ele poderia está olhando para trás, esperando, já tinha confirmado que não poderia ir em uma ligação que ele fizera minutos antes das 16h32min, ela provavelmente viria vestindo uma blusa xadrez, mas estava estudando provavelmente para inglês.
Hora de voltar para onde tinha sentado, a 2 km e alguns metros de onde já estava atualmente. Com aqueles pensamentos vagos. Mais vazios que vagos em sua mente. Querendo adivinha o futuro do que acontecerá, não saiu uma lagrimas de seus olhos, mesmo querendo chorar.
Na sua bolsa estava seu tênis adidas velho, e um salgadinho de doritos, nada social para pessoas que usam Iphone e que acham Chê Guevara um herói revolucionário.
Uma calculadora cientifica, quatro lápis de madeira comum, uma lapiseira 0.9 falsificada da pentel, duas canetas azuis daquelas de 0,50 centavos, que hoje valem 1 real, uma bic preta com o canudo da tinta amarelo e tampa transparente, seu fichário de couro de mil anos, um grimório vermelho de folhas sem linhas, e seu caderno de rascunho, cheios de erros de matemática e de poesias tortas.
Assim, continuou por cinco dias antes de suas aulas voltarem, sem livro, sem olhadas para trás, sem esperar alguém para tentar impressionar. Os dias passaram-se, as pessoas mudaram.
Mas a menina de blusa xadrez permanece.

23 de abr. de 2012

Menino Estranho


Ele era um menino estranho, sim estranho, estranho no modo de agir, no jeito de pensar, e por sua aparência de formatos não simétricos de seu corpo.
Era um garoto estranho, com gostos estranhos, e amigos estranhos, que não entendiam a estranheza dele.
Escrevia de maneira estranha, jogava bola de jeito estranho, se escondia de forma estranha.

Adorava dias estranhos, e sempre tinha uma história estranha que acontecia com ele. Tão estranhas que seriam estranhas de mais para serem verdades.

Como no dia que contou que ganhou da chuva sem se molhar, em uma corrida... Ou no dia que deixou de ser o garoto mais lento da rua, para se tornar o segundo mais rápido, consequentemente depois estranhamente o primeiro... Ou pelo menos o que demorava mais para se cansar nas estranhas partidas de futebol, permanecendo com a mesma velocidade estranha mesmo quando suas pernas, o os ossos de seus joelhos imploravam por descanso... Ou quando um caminhão estranho deu a partida com ele embaixo e ele sobreviveu.

No dia que ele foi atropelado por uma carro quando atravessava a rua e só arranhou o joelho, e no dia que ele caiu do muro se ralou mais do que quando foi atropelado... Ou como no dia estranho que foi ameaçado de morte no catecismo... Ou como no dia que foi estranhamente ameaçado de morte na escola.

Escrevia da direita para esquerda, e sempre começava pelo verso da folha, nunca pela frente.

Falava prrraia, aprrreia, prrreda, entrrrrrega.

E somava da esquerda para direita, e escrevia o número 1 de baixo para cima. Quando contava em voz alta sempre demorava quando chegava um número que terminava com 9.

Fazia desenhos estranhos no papel, e nas paredes, adorava o Van Gogh mesmo sem fazer a mínima ideia de quem era.

Cinema em casa e sessão da tarde, só assistia com um costume estranho, sempre acompanhado de biscoito recheado de chocolate e um copo de água gelada.

Tinha um medo estranho do quadro da capela cistina, e fazia piadas estranhas com o nome do Picasso.

Estranhava os adultos, adorava o som estranho do rock in roll.

Detestava a musica estranha de natal da Simone, e estranhava sem entender porque o cantor Roberto Carlos era chamado de rei.

Falava muitos palavrões sem saber o significado de sessenta por cento deles, não entendia porque estirar dedo era algo estranho e vulgar para os adultos.

Tentou entender o sentido estranho da vida. Entendeu perfeitamente essa filosofia estranha, minutos antes de ter conhecido uma garota estranha, se casaram em um lugar estranho, tiveram quatro filhos estranhos.

Hoje ele e sua mulher são normais e caretas, e não conseguem entender, as estranhezas de seus netos.

18 de abr. de 2012

Uma Latinha de Futebol.


Abril de 2006

Hoje vi um garoto brincando com uma latinha de refrigerante, fazendo dela uma bola de futebol, levantou a latinha de letra e conseguiu fazer embaixadinhas, parecia até que tinha um micro fio, que ligava a latinha de refrigerante com o seus pés descalços.

Ele brincava com a latinha, como um maestro consegue escutar os múltiplos instrumentos sabendo a sonoridade e suavidade de todos os que os tocam em sua orquestra. Ou talvez como um grande roteirista como De Vere, ou surreal como o Salvador (Dali).

Se ele estivesse em cima de um palco, ou no campo de um estádio de futebol, com certeza as pessoas aplaudiriam esse talento, se é que posso chamar essa habilidade de levantar uma latinha de refrigerante de letra e ficar movendo de um pé para o outro, de forma com que ela desse vários giros na sua vertical, caindo sempre com a boca da latinha para cima, ou quando ele só tocava com os pés nas pontas laterais da latinha fazendo com que ela girasse na horizontal e sem que ela caísse no chão. Que equilíbrio impressionante.

Pena que durou pouco, um Senhor com cara de ex-militar, com idade de ter servido na época da ditadura. Pegou a latinha de refrigerante do garoto, na hora em que seria o momento mais sublime de todas as embaixadinhas, "equilibrar a latinha de refrigerante com a cabeça". 

ISSO MESMO SENHORAS E SENHORES! O MOLEQUE JOGOU A LATINHA DOS SEUS PÉS PARA SUA CUCA, E CONSEGUIU FAZER COM QUE ELA FICASSE COM A BOCA DA LATINHA PARA CIMA!
As pessoas foram ao delírio durante aqueles 6 segundos de emoção. Na verdade pelo menos eu e o seu Salvador(não o Dali) dono de uma barraquinha de guloseimas(desencarnado palavras velhas), que estava conversando comigo enquanto eu esperava o infeliz do ônibus (666) 003.
— — Seu Salvador comentou comigo que o menino era danado... Disse que uma vez ele viu o menino bater embaixadinha com uma caixinha de toddynho, e o mais engraçado era que ele passava a caixinha para o seu pé só com as pontas que preenchiam as laterais da caixinha.

— Para de graça seu Salvador!!! O senhor está de brincadeira.

Seu salvador possui uma dos bigodes mais pitoresco que eu já vi na vida, lembra muito a do xará dele, — aquele... Outro lá, o Salvador das pinturas. A diferença é que ao bigode dele é branco. Ele até tem um pente só para pentear o bigode, mas isso é um detalhe besta.
O que mais me impressionava em seu Salvador, mais que a paciência que ele tinha de ficar naquele sol queeente, os cinco dias da semana, com aquela barraquinha aberta, e sua blusa de botão que nem parecia que tinha botão. Era a sua habilidade de passar troco errado, e sempre ganhando para ao seu favor, não importava o que você comprasse, o risco de sair pagando centavos mais caros era grande.— —

O ex-militar tirou a latinha da cabeça do menino, e continuou andando, como se não tivesse feito nada. O garoto ficou sem ação, deu um giro de trezentos e sessenta graus com a boca aberta de surpresa e por não acreditar naquilo que acontecia, sentou no meio fio, apoiou os cotovelos em seus joelhos pequenos, e as mãos no rosto em forma de concha, com as palmas de mão apoiando as suas bochechas,

Eu coloquei as mãos no meu rosto, parecia até que o Deivid tinha perdido outro gol sem goleiro de novo.

Seu salvador ficou possesso, fechou a cara e soltou aquela frase de desdém típica de brasileiro. 

— FILHO DE UMA P#¨*!

Não contente com o acontecido, aprovei a atitude de seu Salvador e gritei junto.

— FILHO DA P¨#%! FILHO DA @U*@! FILHO DA @$T&!

Parecia até que estávamos xingando um juiz de futebol, até o garoto e as pessoas que estavam perto da parada de ônibus gritaram junto com a gente (salientando que eram meus ex-colegas de sala). (Para atitudes revoltosas nós eramos muito unidos).

O ex-militar parou. Lançou um olhar reprovador, para as pessoas que gritavam seu nome, de forma escandalosa.

Uma das pessoas que estavam chamando o ex-militar pelo seu nome, estava atravessando a rua para pedir a latinha de volta, eu intervi.

— Bolinha, Deixa o velho.

Seu Salvador murmura, — é melhor da uma bola para o garoto.

E foi o que fizemos.

Fim.

Machine 40 

9 de abr. de 2012

Azáfama #1


Se eu pudesse, sairia dançando pela rua, cumprimentando frentistas e mendigos que me viam passar.

Se eu pudesse teria ficado mais um pouco sonhando na rua, do que acordado em meu quarto em silencio.

Sambar sozinho de madrugada, na companhia de uma sombra, não é o mesmo de andar embriagado sendo visado por sóbrios.

Mas, os dois são como dançar em uma corda bamba invisível a olho nu.

Se eu pudesse teria levado um cachorrinho tristonho que me olhava, para casa, só que o meu motorista particular e meus colegas de condução não iriam aprovar.

Eu deveria ter me jogado na água que caia do chuveiro de uma vez, só que resolvi colocar um braço, depois outro, e em seguida uma perna, depois outra.

O sol já nasceu, sinto-me como se estivesse acabando de acordar. Coincidentemente eu ainda nem dormi.

Ajudei uma velhinha a atravessar uma rua movimentada às 2 horas da manhã, às 3 horas limpei as lagrimas de uma criança que chorava por terem roubado sua boneca chamada alegria.

Levei uma topada, caindo em um gramado melando toda minha fantasia.

Quebrei um pedaço de galho de árvore, e entreguei para um senhor usar como bengala.

Consegui fazer uma pipa usando pedrinhas e papel de caderno, em vez de bambu e papel seda, que foram usados para um charuto artesanal do policial que me revistou.

Perdi três botões em um jogo de truco, joguei de novo, e ganhei a minissaia da moça da cadeira vizinha.

Quis beijar a lua cheia enquanto delirava tomando uísque, mas me deu um mal estar, e acabei vomitando no São Jorge que estava pendurado na tampa da caixa de isopor, de um vendedor de latinha na lagoa.

4 horas e 30 minutos e ainda estou sentado no meio fio, comendo uma espiga de milho que achei em um banco.

Maldito ônibus que não chega, estou fedendo, sujo, duro, e morrendo de vontade de acordar, só que coincidentemente, eu ainda nem dormi.

5 horas da manhã, e minha história chegou ao fim.

7 de abr. de 2012

Azáfama #0


Tobias já estava saindo de casa para a faculdade, mais uma vez atrasado, passou pelo seu cachorro maionese um vira-lata com pelos de cor preta que percorria por todo seu minúsculo corpo, exceto ao redor do seu olho esquerdo, que possuía uma circulo branco que também preenchia sua orelha esquerda.

Lucia, Mãe de Tobias estava na sala assistindo o noticiário do meio dia, um tele jornal tipicamente brasileiro, recheado de violência, mortes, perolas literárias e bastante apologia à ignorância.

Isso na visão de Tobias, que acaba de saltar pelos pés de Lucia que estavam erguidos no centro da sala, separando a televisão do sofá onde estava sentada.

Lucia uma senhora de cinquenta e quatro anos, de cabelos bastante grisalhos, possuía rugas bem marcadas de sua vida sofrida e batalhadora. Viúva perdeu o marido em um acidente de trabalho, causado por uma caneta bic azul e um saco de batatas.

Severino seu marido, coçava sua orelha direita com a ponta da caneta bic, quando repentinamente um saco de batatas mal colocado sobre amontoados de sacos de batatas, caiu subitamente em cima de seu braço, fazendo com que a caneta bic azul perfurasse os tímpanos.

O que fez com que perdesse a audição, por conta de uma inflamação causada por uma hemorragia que acabou coincidentemente matando-o.
Com a morte de Severino, causada por acidente de trabalho, Lucia e Tobias ganharam na justiça uma pensão da empresa por conta do acidente, onde Lucia consegue com o dinheiro comprar seus remédios antidepressivos, pagar as contas e se dedicar a seus dons artísticos, o artesanato e a costura. Enquanto Tobias, violinista, violista, flautista, pianista e percussionista, tinha uma coleção invejável de instrumentos.
Tobias tem uma longa caminhada até a faculdade onde estuda, apesar de ser meio dia e quinze Tobias demora cerca de uma hora e quinze para chegar ao seu destino.

Tobias e Lucia, apesar de serem dois, formam uma família muito encantadora, por seus dons artísticos e por o carinho de mãe e filho, que poucas mães e filhos conseguirão desfrutar um dia em suas vidas.

Todos os dias Tobias faz o mesmo percurso, de casa para a faculdade, da faculdade para casa, normalmente sem alterações ou algo diferente nesses intervalos de espera de ônibus, uma monotonia insuportável, que só muda quando Tobias é assaltado, ou paquerado por alguma passageira de uma de suas conduções.

E hoje curiosamente não será um dia normal para Tobias, que acabara de chegar à parada de ônibus segundos depois que sua condução acabasse de passar, deixando aquela poeira de barro desagradável no ar, que o nariz de Tobias inalava de forma ofegante.

— Maldito 7567!!!

Tobias não sabia que o ônibus que acabara de perder estava sendo assaltado por um homem chamado Doniraildo “o sufista” (conhecido assim por sua fama de subir nos ônibus pulando em locais altos para depois assaltá-los).

Doniraildo estava fazendo "o rapa" em vários ônibus nesta semana. Lucia mãe de Tobias conhece muito a fama desse elemento por conta dos programas que assiste ao meio dia.

[Horas Depois]

Tobias voltando para casa escutava um dos passageiros que contara ao cobrador como foi o assalto, e o como perdeu seus pertences.

— Jorginho, você não acredita! Parecia até cena de filme policial, o cara desceu pelo vidro do nada já rendendo Manuel que estava contando o dinheiro, foi impressionante rapaz! Ele tomou o dinheiro de Manuel, que quando Manuel deu conta e olhou de forma irritada já estava com a arma no meio da testa. Silenciosamente ele mandou que Manuel se levantasse e que se prendesse em umas algemas de “policial de verdade” em um dos bancos que fica atrás do cobrador dizendo...

“— Se fizer um piu eu atiro em você!”

— Eita! Marginal metido!

— Me deixa contar o resto, sim?

— Vá conte, por favor.

— De repente ele vai pra frente do busão, onde estava Duda (o motorista), e eu que estava em uma das cadeiras da frente.

“— Motorista, fique calmo que isso é um assalto”!

— Nessa hora Duda achou que era brincadeira e foi falar com o homi.

“— Deixe de brincadeira cabra, não ver que eu quase morri com isso”?!

— Mas assim que viu a cara do bendito só faltou se cagar de medo.

“— Apois não morra não! Pois preciso de tu pra dirigir esse latão!!”.

 — Nessa hora foi um silencio que só você estando lá você  não acreditaria que o ônibus estava vazio. O sufista olhou pra mim e disse... “— Você! Pega essa sacola e vá pegando tudo desse povo, e quem num tivé nada pá dá, vai levar tiro, nem que me dê as calçolas pra compensar, principalmente as múie”.

— Né que todo mundo saiu jogando celular, carteira, relógio, sem falar nada?! Ou esconder nada?! Fiquei até assustado.

— E tu desse o que homem? Para o bandido?

— Meu celular e minha carteira, depois que eu dei a sacola pra ele, ele ficou no busão depois mandou Duda dobrar pela mata, onde desceu e um carro o pegou.

— Tenho até medo dessas coisas, Manuel foi muito esperto, ficou calado na dele, e não fez nada, meu medo é reagir em algo desse tipo.

— Pois é Jorginho, pois tenha cuidado, e fique em paz, já vou descer, espero que nada lhe aconteça, Deus te abençoe e boa semana santa pra você.

— Amém Luiz, que assim seja para você também meu amigo. Vá com Deus iluminado lhe abençoando! Abrace sua família bem forte porque hoje você nasceu de novo.

— Eu vou fazer isso mesmo meu amigo, eu vou fazer isso mesmo, boa noite.

Luiz saiu de trás do ônibus pediu parada, desejou boa noite e uma boa semana santa, para Chico o motorista e desceu.

Tobias se levantou, a próxima parada é a dele, desejou sorte ao cobrador Jorginho, que sorriu de forma envergonhada, desejou boa semana santa, e repetiu o mesmo que Luiz fez para Chico, que o retribui com um “-Para você também, boa noite”.

Apesar do acontecimento lamentável, o dia de Tobias não tinha sido ruim, perdeu o ônibus que foi assaltado, e valeu a pena ter chegado um pouco atrasado na faculdade já que o professor das três primeiras aulas já estava curtindo a semana santa com a família.

Tobias desceu do ônibus, mas antes que o ônibus desse a partida ele avista um rapaz de idade um pouco mais velha que ele, com mochila nas costas, pedindo parada e Chico sem observar.

Tobias vendo o caso acenou para Chico avisando do rapaz, fazendo com que o rapaz conseguisse subir para o ônibus. Grande gesto de bondade em inicio de semana santa tudo dando certo, desejou sorte e paz para o ônibus em seu pensamentos já que o ônibus estava dobrando o sinal e pegando rumo de mais um destino.

Sorte que não durou muito tempo, afinal o rapaz que Tobias ajudou era Doniraildo “o sufista” que fazia seu ultimo serviço para passar a semana santa em paz.

1 de abr. de 2012

Coisas de fins de festas.



No fim da festa o que resta é uma bagunça, um amontoado de coisas jogadas em todos os lugares, vômitos de pessoas bêbadas, lágrimas por corações partidos. E no final ninguém se lembra do motivo da comemoração. — Estávamos comemorando o que? — Essa festa era pra quem mesmo?!

Essa festa era para o Vicente, que saiu hoje do hospital depois de três meses em coma. Pena que não conseguiu chegar à festa porque morreu em um acidente de carro, 5 minutos depois de sair do hospital, um maluco alcoolizado ultrapassou o sinal vermelho colidindo com o carro do pai de Vicente.

O carro do motorista alcoolizado acertou em cheio a porta do motorista matando na hora o pai de Vicente. Já a mãe de Vicente passou cinco minutos com uma das bengalas do filho perfurando o seu estomago para finalmente morrer em paz. Vicente foi arremessado para todos os lados do carro, enquanto o carro girava, lesionando várias partes de seu corpo, e quebrando seu pescoço.

Já o motorista alcoolizado de nome Roberto, conseguiu sobreviver por conta do airbag triplo do volante, sofrendo assim poucos arranhões. O carro de Roberto não era dele, era da sua sogra, Dona Vanessa o airbag foi comprado por seu marido, Seu Flaviano.

Seu Flaviano morria de medo que Dona Vanessa sofresse algum tipo acidente, protegeu o carro de dona Vanessa como pode, blindou o carro, e colocou vários tipos de proteções extras.

O carro de Dona Vanessa tinha sido "pego emprestado" por seu genro Roberto, marido de sua filha Rosângela. 

Roberto & Rosângela eram um casal maravilhoso, frequentavam a igreja aos domingos, adoravam festas, e confraternizações, estavam juntando as economias para terem um filho. O único defeito de Roberto era a bebida que o deixava um pouco irresponsável. O único defeito de Rosângela era de pegar as coisas da mãe sem perguntar, uma dessas coisas foi o carro de Dona Vanessa, horas antes dela e seu Flaviano pegarem o seu filho Vicente no hospital.

Depois da festa Rosângela & Roberto perderam seus defeitos e nunca mais se falaram de novo.

9 de mar. de 2012

Poeira Espacial


Os olhos de Mikhail ainda não acreditavam no que estava acontecendo, aquela poeira passando pelo seu capacete, demorando a cair no solo lunar era tudo que tinha restado do primeiro homem que Mikhail conheceu.

Tudo bem, não era lá um exemplo de homem.

Faltava nas reuniões da escola, nos jogos de futebol, nas feiras de ciências. Não ligava nos aniversários, nem nos dias de natal.

Também foi o primeiro homem a não cumprir uma promessa, a não assumir o que fazia. Inventava desculpas e sempre tinha uma serie de justificativas enroladas para nunca melhorar.

Foi o primeiro sonhador que desistiu de sonhar, o primeiro ranzinza engraçado, o primeiro valentão mais frágil.

Acabara de virar poeira.

Sem presenciar a vista mais bela que um mortal poderia ter, sem observar seu lar da lua. Bilhões de pessoas vivendo em harmonia, milhares vivendo em guerra, algumas morrendo. Tanto lugar bonito na Terra para ser jogado. Por que aqui na lua? Por que nessa solidão? Por que nesse vazio?

A lembrança da primeira aposta vencida veio à tona.

— Popô vai nocautear o cara no primeiro assalto.
— Aposto 1 real como é no terceiro!
— Feito, esse 1 real já está ganho!

Popô nocauteia um francês no primeiro assalto e se torna o campeão mundial dos Super Penas.

E outras lembranças apareceram perturbando sua mente, diante daquelas poeiras caindo no solo lunar.

As lembranças das conversas e das brigas engraçadas constantes que tinham um com o outro.

A primeira vez que saíram para pescar e voltaram sem nada na sexta.

O dia do casamento de Mikhail, a segunda vez em uma década que os dois vestiam terno na mesma ocasião, a segunda vez na década que os dois choraram na mesma ocasião.

A primeira vez que James Mikhail Asimov viu seu neto Charlie Mikhail Hopper Asimov, pela primeira vez foi em um jogo de Vasco e Flamengo no Engenhão, coincidentemente na mesma noite em que Mikhail James Asimov, viu seu filho no colo de seu não muito querido pai, pela primeira vez.

O Flamengo perdeu aquele jogo, só não empatou porque o centro avante perdeu um gol sem goleiro a um metro do gol, conseguiu chutar a bola na trave.

No mesmo ano, eles ainda viram o Flamengo ser campeão Brasileiro. James Mikhail Asimov conseguiu cumprir sua primeira promessa, assistir todos os jogos do Flamengo com seu neto.

Pela primeira vez em quarenta e poucos anos de vida Mikhail percebeu que amava e que nunca esquecerá o primeiro homem que conheceu em sua vida.

E que um dia voltará para esse mesmo lugar, para em fim se tornar poeira espacial.

3 de mar. de 2012

O palhaço e a Rainha.


Ele foi considerado o melhor palhaço da trupe, tinha um jeito diferente de lidar com a plateia, não precisava de gestos mirabolantes, não precisava de tropeções.

Misturava o humor europeu, com o sotaque nordestino, mudanças de entonação, e pequenos gestos naturais, como a maneira de virar o rosto, ou de caminhar sobre o palco, faziam com que as pessoas prendessem suas atenções sob ele.

Até em dramas conseguia fazer com que as pessoas rissem antes de chorar. Quando parava e olhava para o publico, dava-se para enxergar a sua alma, era como se entrássemos em seu corpo e sentisse suas dores, suas magoas, como se conhecêssemos seus amores, suas amadas.

Fora do palco era tímido e calado, mal conversava com sua família, tinha amigos estranhos, de classes, e de gostos diferentes, nunca se importou com essas diferenças, nunca pensou nessas diferenças.

Ultimamente estava meio distante, mais do que sempre tinha sido. Parecia que ele queria estar distante e que estava gostando disto.

Educado como nobre, mesmo sendo plebeu, assustava os nobres de sangue, com suas opiniões e colocações fortes.

Passeava todos os dias em frente a um castelo de nobres coronéis da região litorânea. Onde montava seu teatrinho e fazia atuações com bonecos. Formava multidões, deixava moças impressionadas com as estórias de príncipes encantados, e de pobres apaixonados.

Também recitava, verso, poesia, musicas, e no final sempre tinha um beijo apaixonado, que fazia os fios dos bonecos se enrolarem como se fossem suas próprias línguas.

*****

Ela era doce, bonita e tinha uma delicadeza simples e singela, de boa educação, vivia em seu  próprio mundo, trancafiada em seu castelo.

Tinha um talento esplendido com desenhos e literatura, sempre gostou de filmes e boa musica.

Era refinada se comparássemos com outras donzelas, e exorbitantemente linda, se também comparássemos com as outras donzelas, tinha cabelos longos de tonalidade escura, "pés pequenos como de uma verdadeira princesa" (algumas senhoras diziam impressionadas quando avistavam seus pés delicados).

Tocava divinamente piano, e quando fazia mudava de endereço, atingia um lugar só dela, onde só a precisão de suas mãos, e o som que saia do piano sabia onde ela estava.


Nunca estranhou seres mitológicos, afinal convivia com um dragão, um feiticeiro, e um belo passarinho com cabeça de gato. 

Gostava de observar as multidões e as peças do teatrinho de bonecos que sempre era armado em frente a sua janela.

 As histórias fazia com que ela sonhasse, e imaginasse sempre que um príncipe ou até mesmo um pobre rapaz, prestasse atenção em suas qualidades, ou apenas em sua pessoa.

Esperava ansiosamente o fim de tarde, quando o dragão dormia. Fazia dele sua escada para descer da janela, e ir ver o sol se por.

Um pouco distante, viu crianças sentadas em um circulo, prestando atenção em um rapaz que possuía uma voz um pouco familiar. Ele contava uma história para as crianças, uma história sobre um casal.

O rapaz dizia que o mocinho era um palhaço, que nos fins de tarde. Entregava de presente pedaços de carne e de chocolate para um dragão, parecido com o dragão da casa do coronel feiticeiro que morava em um castelo também parecido com o castelo do coronel feiticeiro, só que era em um lugar muito, muito distante. Fazendo com que uma donzela descesse de uma janela, para ver o céu mudar de cor.


*****

Foi a primeira vez que ela sentiu um frio na barriga, não só na barriga, mas também em suas mãos. Ela foi aproximando-se do circulo devagarzinho, sem que ele percebesse, sentou-se logo atrás.

A visão periférica do rapaz, não tinha conseguido captar a movimentação radiante da donzela, mas o seu olfato, sentiu algo diferente, como se perto de onde estivesse existisse um campo de flores perfumadas.

Virou-se devagar e avistou a imagem mais linda que seus olhos já haviam visto. Desta vez a menos de um metro de distância.

Conversaram e se conheceram, ambos tímidos e calados, combinaram de se encontrarem novamente, e foi assim por varias dias, varias semanas, e vários meses.

Conversavam sobre livros, políticas, histórias, escritores, filmes, pessoas, musicas. Até que o feiticeiro descobriu. E foram proibidos de se encontrarem, de se aproximarem, de se comunicarem e de se olharem.

Na rua em frente à janela do castelo da donzela, ficou proibido qualquer movimentação artística, ou aglomeração de pessoas.

Anos depois, finalmente se encontraram, mas ela já estava prometida e feliz. Conversaram sobre várias coisas, menos sobre eles, menos sobre o que gostavam, atualizaram seus feitos, suas novidades. Meses depois a donzela virou rainha de uma cidade, muito e muito distante.


E o palhaço, assim continuou. Apenas um palhaço.